25/07/2005 11:07
QUANTOS DÍZIMOS SÃO NECESSÁRIOS PARA CALAR A BOQUINHA DO BORIS?
Aconteceu o que todos os jornalistas previam: nem uma palavra do Boris
Casoy sobre o escãndalo do dizimão (mais de R$ 10 milhões), que o
presidente da Igreja Universal do Reino de Edyr Macedo, deputado João
Batista Ramos (PFL-SP), carregava em sete malas, em um jatinho da seita.
Uma vergonha para o jornalismo da TV Record, que paga com muitos
milhares de dízimos o tal Boris para ele ficar deitando editoriais
contundentes contra a corrupção e escândalos financeiros -- menos quando
ocorrem nos gabinetes dos patrões, ao lado do seu, na redação da emissora.
O crescimento dessa seita é espantoso e a Rede Record de Televisão --
sem contar as inúmeras rádios AM e FM espalhadas pelo Brasil -- é um de
seus patrimônios mais visíveis a denunciar a montanha de dinheiro que a
sustenta. Adquirida por 40 milhões de dólares "fantasmas", até hoje
corre (ou está engavetado, por conveniência ou conivência) no Supremo
Tribunal Federal um processo para se apurar a origem dessa fortuna mal
explicada.
A Igreja Universal do Reino de Edyr Macedo é uma máquina de lavagem de
cérebros e dinheiro, que a Justiça deixa rolar em nome da liberdade
religiosa. É espantoso o espetáculo daquela multidão de pobres fiéis,
nos templos da seita, expressões contorcidas, beirando o histerismo,
suas mentes sendo conduzidas pelos pastores-impostores, que lhes
prometem milagres por
atacado, o mais tentador, o da riqueza. Os versículos da Bíblia
preferidos por eles são os que falam em dízimos.
Quem tiver estômago e conseguir conter por um instante a revolta,
observe os pastores-impostores na programação da Record. Engravatados,
se assemelham a executivos orientando aplicações financeiras, embora
suas expressões e palavreado os denunciem claramente como meliantes
incursos no art. 171, que trata de extorsões e induções que levam
pessoas incautas a
perderem dinheiro. O que eles vendem são curanderismo e voodoos que
dizem ser infalíveis para a conquista da prosperidade.
A quantidade de pastores-impostores da Igreja Universal do Reino de
Edyr Macedo na política é cada vez maior - ocupando centenas de cadeiras
desde as câmara de vereadores ao senado federal. Por pouco não atingiram
seu maior objetivo até aqui: a prefeitura do Rio, quando na eleição
passada um deles, chamado Bispo Crivella, foi o segundo lugar,
derrotando partidos e nomes tradicionais da política carioca.
A seita não é mais um ovo de serpente. É a própria serpente, que cresce
sem que nenhum mecanismo de Justiça tenha força suficiente para estancar
seus tentáculos tenebrosos, que penetram ardilosamnente nas mentes
especialmente dos trouxas mais carentes que sonham em ficar ricos ou nas
loterias ou através dos "milagres" que os pastores-impostores lhes
prometem.
É como diria o tal Bóris -- arauto da moralidade, quando os 171s são de
outro partido, que não seja o da seita do Reino de Edyr Macedo: uma
vergonha!
Do outro, Paulo Henrique Amorim, âncora de um jornal "diferente" no
horário das 18h, o maior canastrão do jornalismo da TV brasileira,
também nem um pio sobre o dizimão apreendido.
Afinal, quantos dízimos são necessários para calar a boca desses dois
profissionais que enlameam o Jornalismo sério, ético e responsável,
pregado e debatido no excelente programa Observatório da Imprensa,
apresentado por Alberto Dines, pela TV Cultura.
Fica a idéia de pauta para o próximo programa.
enviada por Gordela's K/SA
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